[RESENHA] A PLAYLIST DE HAYDEN, MICHELLE FALKOFF


Ano: 2015

Páginas: 288

Língua: Português

Editora: Novo Conceito

Preço médio: R$ 34,90

Sinopse: Depois da morte de seu amigo, Sam parece um fantasma vagando pelos corredores da escola o que não é muito diferente de antes. Ele sabe que tem que aceitar o que Hayden fez, mas se culpa pelo que aconteceu e não consegue mudar o que sente

Enquanto ouve música por música da lista deixada por Hayden, Sam tenta descobrir o que exatamente aconteceu naquela noite. E, quanto mais ele ouve e reflete sobre o passado, mais segredos descobre sobre seu amigo e sobre a vida que ele levava.

Eu sempre me pergunto o que faria caso um amigo morresse sem eu esperar. Que tipo de dor iria sentar, como eu iria reagir a notícia, o que seria de minha vida depois. A gente nunca quer perder alguém querido, quanto mais de uma forma tão brusca como o suicídio.

Sam teve que passar por isso quando encontrou o melhor amigo, Hayden, morto. Hayden decidiu tirar a própria vida com uma mistura de comprimidos com bebida e pegou sua família e seu único amigo de surpresa. O que aconteceu para aquele garoto tomar essa atitude? Essa era a grande pergunta que aparentemente não tinha resposta.

A única “dica” que Hayden deixou foi uma playlist no iPod e um bilhete para Sam dizendo que ele iria encontrar as respostas nas músicas. Composta por músicas extremamente depressivas e de bandas que ambos curtiam, Sam passa a escutar fervorosamente a playlist em busca de alguma pista que o faça entender a escolha do amigo. Mas ao invés de encontrar as respostas que queria, Sam descobre que o amigo tinha mais segredos do que ele imaginava.

Hayden foi um garoto tímido que sofria bullying junto com seu melhor amigo, sendo uma das principais vítimas do Trio de Valentões; grupo que seu irmão mais velho fazia parte com mais dois babacas da escola. Além do mais, Hayden era diversas vezes repreendido pelos professores por não conseguir se concentrar nas aulas ou responder as provas de forma nada convencional, reflexo da dislexia que tinha e não tratava. Seus pais não compreendiam isso e praticamente maltratavam o filho, achando que ele era desleixado e não teria futuro algum. Hayden também acreditava nisso, o que fez Sam questionar se esse foi o motivo para ele colocar um fim em sua vida tão cedo.

Novas pistas vão surgindo conforme Sam escuta a playlist, acessa o computador do amigo que a mãe de Hayden lhe dá, principalmente quando conhece Astrid. Sam nunca imaginou que Hayden fosse amigo dela e se vê ainda mais perdido em relação ao amigo, achando que não o conhecia tão bem assim. Mas Astrid irá ajuda-lo não só a entender o amigo como também a superar aquela perda tão difícil.

É um livro que, por ter temas tão pesados, passa a ideia de que será uma história triste e dramática ao extremo. Ao contrário. A autora consegue tratar desses assuntos de uma forma que te deixa até mesmo confortável para falar sobre morte e suicídio. Não deixa de ser um livro com uma premissa tensa, porém, é um sofrimento que dá pra aguentar e te faz refletir bastante.

Questões como, até que ponto as brincadeiras comuns entre adolescentes e o bullying passa de algo “simples” para o estopim que leva um garoto a tirar a própria vida ou a dificuldade que muitas pessoas têm de aceitar que dislexia é uma doença séria, tornam esse livro jovem-adulto um dos mais interessantes que li. É maduro, mas cheio de inocência. Quem nunca se viu surpreso por descobrir que não conhecia tão bem assim a pessoa que convivia diariamente? Hayden tinha seus segredos e infelizmente Sam só os descobriu depois que o amigo se foi.

E a playlist contém muitas bandas que eu adoro, então eu meio que ficava com as músicas de cada capítulo na cabeça enquanto o lia. Recomendo não só o livro como as canções citadas.

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