[RESENHA] ANARDEUS – WALTER TIERNO



Ano: 2013

Páginas: 184

Língua: Português

Editora: Giz Editorial

Preço Médio: 25,00

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Anardeus nasce feio, cresce ignorado e se torna um adulto desagradável. Sente muito frio, o tempo todo, e só desfruta o conforto do calor quando testemunha tragédias e horrores. Ele odeia tudo e todos, menos sua irmã gêmea, Isabel, sua antítese: linda, amável e cheia de calor.
Anardeus, com a sua personalidade detestável, é um anti-herói incomum e, por isso mesmo, tão interessante. O mundo não deseja Anardeus. Anardeus não deseja o mundo. Mas terão que viver juntos até o final apocalíptico e perturbador.
Anardeus, no calor da destruição tem como cenário São Paulo e seus personagens cínicos, loucos, egoístas. Um romance sem rótulos ou lugar-comum, para ler e sentir tudo – menos indiferença.
É difícil falar exatamente do que se trata Anardeus, mas uma coisa eu tive certeza: eita livrinho intenso. Eu senti como se fosse um soco no estomago, sabe? De tão crua, real, cruel e “doida” essa história é e de como ela foi tão bem desenvolvida pelo Walter Tierno.

Para começar, esse não é um livro de leitura fácil e não é por conta da complexidade do texto, nem nada do tipo. Anardeus trata de situações intensas e muitas vezes tabu, deixando o leitora desconfortável em algumas passagens em que você pensa “que merda é essa?”. Mas quanto mais intenso ele ficava, mais eu me envolvia e queria essas “tapas de realidade” dadas em meu rosto. É o tipo de experiência que poucos livros te proporcionam.

Dividido em três narrações (Anardeus, O Fotógrafo e Isabel), conta a história de irmãos gêmeos que são diferentes em tudo: Isabel é quente como o fogo e calorosa com todos ao seu redor, conquistando todo mundo com um poder de sedução indescritível e beleza fora do comum. Já Anardeus é frio, calculista, apático e descrito como um homem de aparência detestável. Ele sente muito frio o tempo inteiro – enquanto sua irmã sente muito calor sempre – e os raros momentos em que esse frio não o faz precisar vestir inúmeras camadas de roupas são quando está presenciando (ou desejando até acontecer) algo trágico, como um acidente de metro ou um avião destruindo um prédio.

A crueldade no livro não vem só quando essas tragédias acontecem, mas também ao mostrar a vida que Anardeus levou desde que nasceu. Fruto de uma família desestruturada, sempre foi rejeitado por todos enquanto via sua irmã ser exaltada em diversos aspectos. Isso poderia causar um atrito entre os irmãos, porém, eles têm uma relação bem intensa e que muitas vezes cai no tema tabu. Sim, é isso mesmo que você está pensando e algumas pessoas vão querer fechar o livro nesses momentos, mas vai por mim: continue.

O plano de fundo dessa história é o que faz o livro ser tão bom, além do modo que Walter narra todas as situações com tanta realidade. Nele não tem meias palavra e por isso eu reforço que não é uma leitura fácil, muito menos para quem ainda não atingiu certa maturidade. Anardeus é o típico anti-herói que muita gente pode odiar, porém, você acaba abraçando a causa dele e torcendo por mais que ele seja cínico, cruel, egoísta e, utilizando a única palavra para descrevê-lo, escroto. Não existe um personagem bonzinho nesse livro, nem mesmo Isabel que sempre teve tudo de mão beijada por ser tão linda e sensual. Ela tem seus momentos de crueldade, só mostrando que existe um pouco de maldade dentro de cada ser humano.

E colocar São Paulo como o cenário dessa história só torna tudo mais perfeito. Eu sempre sinto certa melancolia em São Paulo, por ser uma cidade tão grande e com pessoas tão diferentes. É o típico lugar com milhões de pessoas, mas que você vai se sentir sozinho mesmo no meio da Avenida Paulista lotada. Anardeus se sentia sozinho no meio dessa megalópole e talvez seja essa a explicação para tanto rancor no seu coração. Se bem que, ao terminar o livro, você duvida muito que Anardeus, ou até mesmo Isabela, tenha coração. Eles tinham uma missão nesse mundo e souberam cumprir direitinho, mesmo que para isso você tenha que terminar com uma tragédia já esperada, mas que não tira o brilho desse livro que só reforça que temos sim autores brasileiros incríveis e histórias maravilhosas.

Beijos

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