[RESENHA] PRIMEIRO E ÚNICO, EMILY GIFFIN



Ano: 2015

Páginas: 448

Língua: Português

Editora: Novo Conceito

Preço Médio: 39,90

Shea tem 33 anos e passou toda a sua vida em uma cidadezinha universitária que vive em função do futebol americano. Criada junto com sua melhor amigas, Lucy, filha do lendário treinador Clive Carr, Shea nunca teve coragem de deixar sua terra natal. Acabou cursando a universidade, onde conseguiu um emprego no departamento atlético e passa todos os dias junto do treinador e já está no mesmo cargo há mais de dez anos.
Quando finalmente abre mão da segurança e decide trilhar um caminho desconhecido, Shea descobre novas verdades sobre pessoas e fatos e essa situação a obriga a confrontar seus desejos mais profundos, seus medos e segredos.
A aclamada autora de Questões do Coração e Presentes da Vida criou uma história extraordinária sobre amor e lealdade e sobre uma heroína não convencional que luta para conciliá-los.

Esse foi o primeiro livro de Emily Giffin que eu li, talvez porque os temas abordados nos outros livros da autora não me interessavam tanto. Quando me deparei com a sinopse e a capa de Primeiro e Único vi enfim uma história dela que despertou meu interesse, principalmente porque eu gosto bastante de futebol americano, do tipo que acompanha os jogos da temporada e gosta de saber como funciona esse universo no além-campo, os bastidores mesmo. E Primeiro e Único vem mostrar justamente um pouco desse mundo, especificamente o futebol americano de universidade já que a personagem principal trabalha em uma universidade no Texas.

Shea vive para o futebol, literalmente. Além de ser apaixonada pelo esporte, ela trabalha para o time da Universidade Walker em que se formou e isso a fez nunca deixar sua cidade natal. Até então ela não tinha se importado com aquele fato, mas sua mente muda quando a mãe de sua melhor amiga morre e o luto a faz se ver estagnada. Deixou sua paixão de jornalista para se dedicar a um time, não tem um relacionamento maduro já que seu namorado tem a mentalidade de um moleque de 15 anos, nunca se arriscou de verdade na vida. Ela decide então tentar um emprego como jornalista na seção de esporte de um jornal em Dallas, sendo o primeiro passo para a tal nova vida que ela deseja.

Junto com o novo emprego vem um novo relacionamento. Shea começa a se envolver com nada mais nada menos que Ryan James, o quarterback do Dallas Cowboys. Para você que não conhece futebol americano, seria o mesmo que Shea está namorando o marido de Gisele Bündchen, sabe? Inclusive, a autora cita em uma passagem do livro que Ryan James foi visto de papinho com Gisele para o terror do marido dela, só para mostrar como ele é o cara mais desejado do futebol americano. Ryan e Shea foram colegas de faculdade e já eram amigos antes desse romance, dando a entender que dessa vez ele queria um relacionamento diferente ao namorar uma mulher normal, não as modelos que ele costumava se envolver. Seria o relacionamento dos sonhos de Shea, certo? Ela ama futebol americano e qualquer mulher em sã consciência morreria para estar em seu lugar por se tratar de ser Ryan James, mas o coraçãozinho de Shea começa a mostrar ser de outro homem.

Desde o início do livro você percebe que Shea tem uma admiração incrível pelo pai de sua melhor amiga, que vem a ser o Técnico Carr que comanda o time da Universidade Walker. Com seu pai ausente por conta do divórcio com sua mãe e a nova família, Técnico Carr se tornou a figura paterna de Shea, vendo-a crescer ao lado de Lucy e na vida adulta trabalhando junto com ele no time. Mas a autora resolveu se aventurar um pouco e fez Shea começar a se interessar de outra forma por Técnico Carr. É nesse ponto da história que divide os leitores em duas categorias: os que acham isso esperado, afinal um homem integro como o Técnico Carr (e bem conversado apesar da idade, pela descrição) não é pra menos uma mulher se interessar, e os leitores que abominaram essa ideia. “O pai da melhor amiga? Que merda é essa?”.

Eu me encaixei na segunda categoria de leitor, porque eu realmente não consegui entender como esse relacionamento poderia ser possível. Não estou falando da idade, mas do fato do homem que Shea se interessou ter sido sua figura paterna por vários anos, do tipo que a deu um sermão quando ela foi pega dirigindo bêbada na adolescência. Bastou a mãe de Lucy morrer para ela, puff, desejar o Sr. Carr? Eu só conseguia encontrar uma explicação para isso: daddy issues. A clássica projeção que algumas mulheres fazem em seus relacionamentos porque não têm uma relação boa com os pais. Shea procurou em um homem tudo o que o pai foi ausente durante sua vida e encontrou justamente naquele que exerceu esse papel.

Além do mais, a admiração de Shea pelo Sr. Carr como técnico atrapalha sua profissional, já que ela se torna incapaz de ser imparcial quando faz matérias sobre o time que ele dirigi. Junto com o fato de que a NACC, que gerencia os esportes universitários, estar investigando a Universidade de Walker e Shea simplesmente não aceitar que o Técnico Carr não é esse homem perfeito que por anos ela colocou em um altar. No resumo, é uma relação que foi desenvolvida de uma maneira estranha e me frustrou de verdade. Passei o livro inteiro torcendo para que Shea e Ryan ficassem juntos, afinal, namorar um jogador do seu esporte favorito seria a relação ideal para ela, mas aparentemente Emily Giffin gosta de polemizar. E no final não houve a tal mudança de vida que Shea desejava, a personagem simplesmente não evoluiu.

Li algumas resenhas depois de terminar o livro e minha conclusão foi que: as leitoras brasileiras não gostaram do plano de fundo da história ser futebol americano enquanto algumas americanas adoraram. Realmente, o livro fala muito sobre o esporte e quem não está familiarizada com esse mundo vai achar muito chato. Mas foi justamente o que eu amei no livro, porque me fez entender mais um pouco sobre futebol e como as coisas funcionam nos times das universidades, amenizando a minha decepção pelo relacionamento principal ter sido dessa forma.

No mais, foi uma boa experiência por eu nunca ter lido nada sobre o tema “futebol americano”, mas creio que as pessoas que não se interessam pelo assunto vão se envolver mais com o romance e talvez façam parte daquele primeiro grupo de leitores que comentei. Talvez pra vocês esse casal faça algum sentido, sei lá.

Beijos

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