[RESENHA] A NOIVA FANTASMA


Ano: 2015

Páginas: 360

Língua: Português

Editora: Darkside Books

Preço Médio: 41,00

Sinopse: Certa noite, meu pai me perguntou se eu gostaria de me tornar uma noiva fantasma…
1893. Li Lan é uma jovem que recebeu educação e cultura, mas que vive sem grandes perspectivas depois da falência de seus pais. Até surgir uma proposta capaz de mudar sua vida para sempre: casar-se com o herdeiro de uma família rica e poderosa. Há apenas um detalhe: seu noivo está morto.
A Noiva Fantasma é o surpreendente romance de estreia de Yangsze Choo, a escritora de ascendência oriental que está encantando fãs por todo o mundo.
Por mais fantásticas que pareçam, as noivas fantasmas ainda resistem até hoje em parte da cultura asiática. A prática, que chegou a ser banida por Mao Tsé-Tung durante a Revolução Cultural, foi muito frequente na China e na Malaia (hoje Malásia) no final do século XIX. O casamento era usado para tranquilizar um espírito inquieto, e garantir um lar e estabilidade para as mulheres que diziam sim a maridos já falecidos. É claro que elas tinham um preço alto a pagar, e com Li Lan não seria diferente.
Evocando obras como Lugar Nenhum, de Neil Gaiman, essa obra é uma história impressionante sobre o amor sobrenatural e sobre o amadurecimento, escrita por uma extraordinária nova voz da ficção contemporânea.

Muitas mulheres sonham em ficar noivas, em se casar.

Em A Noiva Fantasma, romance de estreia de Yangsze Choo, vamos viajar no tempo e conhecer a história da Li Lang, uma jovem chinesa que como muitas daquela época se preocupa em conseguir um bom noivo, sonha com um casamento.

Na época em que o livro se passa é tipicamente comum. E por mais que seja algo que como leitora talvez fosse difícil de digerir, a autora nos deixa tão íntimos da personagem que fica simples enxergar pelos olhos da protagonista.

Talvez seja o livro mais romântico que a Darkside tenha no catálogo, mas não se engane: Não é apenas mais um romance. Ou uma história bobina, água com açúcar. A autora faz uso de uma grande pesquisa e cria todo um novo contexto para uma questão cultural que existia na época.

Pode parecer absurdo, mas dei uma pesquisada e achei pavoroso o fato de casamentos arranjados com o noivo morto realmente tenha existido. Famílias costumavam fazer esse arranjo para garantir paz do homem em questão e em troca, a família da noiva teria uma boa quantia como pagamento.

A jovem não passaria nenhuma necessidade.

Li Lang perdeu a mãe muito cedo, mas foi muito bem criada. Sua família está em crise financeira: não estão completamente falidos, mas estão em total declínio. Seu pai está se recuperando de uma grave doença e vê na filha uma maneira de fazer com que a família possa ter uma melhor condição.

Li Lang se recusa a casar com um noivo que já está morto e é justamente por conta de sua recusa que o livro se mostra muito mais que um simples romance. O universo que Li Lang vai começar a explorar é retratado com muita delicadeza e é rico em diversos detalhes para apresentar o universo da morte.

Não vou me prolongar, afinal estaria contando spoilers, coisa que evito, mas sinceramente, quando pensei que iria me decepcionar com o livro, ele mostra muito mais e a autora é bastante original em cima de uma tradição medonha da China. Existem detalhes e cenas desse universo que parecem absurdas se você parar para pensar com cuidado, mas a autora consegue costurar tão bem todos os detalhes e acontecimentos que fiquei impressionada com a naturalidade de tudo criado, de tudo o que ocorre.

Confesso que esperava um livro mais sombrio. Como comentei, de tudo que tive a oportunidade de ler da Darkside, esse, sem dúvida foi o livro mais leve e mais romântico de todos. Existem fantasmas, existe pobreza, existe sofrimento, mas acaba sendo um livro muito mais humano que o esperado.

Quem ler com toda certeza vai entender o que estou falando. O ponto alto fica para a escrita da autora. Se rolar um top 5 de livros do ano, ele tem que estar na lista, pois foi um dos mais bem escritos que li até agora!

Esta resenha foi feita em conjunto com o grupo open minds do Blog Harlan Coben Brasil.


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