[RESENHA] A garota no trem, Paula Hawkins



Ano: 2015

Páginas: 378

Editora: Record

Preço Médio: 39,90

Sinopse: Um thriller psicológico que vai mudar para sempre a maneira como você observa a vida das pessoas ao seu redor.

Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas dágua, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes a quem chama de Jess e Jason , Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess na verdade Megan está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos. 
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota No Trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

Só consegui parar para ler o livro algumas semanas depois de ter participado da cabine de impresa do filme adaptado da obra de Paula Hawkins. 

Se você quer saber o que eu achei do filme, clique aqui e assista ao vídeo que postei na semana de estréia.

Mas falando sobre o livro e tentando me desligar o máximo possível da experiencia cinematográfica, devo dizer que me decepcionei um pouco. 

No livro vamos acompanhar o ponto de vista de 3 mulheres completamente diferentes, sendo os principais e mais bem desenvolvidos, os de Rachel. Uma protagonista bem construída e a mais bem aproveitada ao longo das mais de 350 páginas. De inicio pode parecer confuso, mas a sua vida é um grande caos. Alcoólatra, obsessiva com seu ex marido e de coração partido, ela tenta manter uma certa normalidade e se agarra a um conto de fadas que criou observando um casal que mora em sua vizinhança. 

Quando comento que os capítulos dela são os melhores, é que ela foi a única personagem com quem realmente consegui criar uma ligação e uma curiosidade para entender como tudo iria se desenrolar, mesmo já sabendo o final, que por sinal, no livro é bem mais impactante que no filme. 

Embora em algumas partes a história pareça ser um tanto arrastada, não me incomodei. Essas partes também tem uma função importante de iludir o leitor que tudo está "pura calmaria" ou "parece obvio demais" para logo depois deixá-lo sem fôlego. Rica em detalhes e trazendo uma crítica ao estilo de vida que muitas mulheres ainda são muito impostas a viver, A garota no trem se torna muito mais que um suspense policial.

O livro demonstra o quanto que nossa sociedade machista destrói vidas, famílias, lares e comunidades. Pressiona e exige das mulheres sonhem com relacionamentos perfeitos saídos de contos de fadas, que estejam prontas para agir sempre como belas recatadas e do lar, e, caso não se encaixem neste tipo de padrão, que sejam marginalizadas. Exatamente como aconteceu com Rachel, que ao entrar na jornada medonha sem nem mesmo perceber o real motivo, acabou descobrindo muito mais sobre ela e a vida que levava, do que  jamais poderia imaginar. 

Agora só me resta esperar por um novo livro da autora, e torcer para que ela continue escrevendo sobre mulheres ou temas que muitas vezes continuam sendo ignorados em nosso dia-a-dia. 

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