[RESENHA] O MENINO FEITO DE BLOCOS, KEITH STUART


Ano: 2016

Páginas: 378

Editora: Grupo editorial Record

Preço Médio: 29,90

Sinopse: Uma história sobre um pai e seu filho autista, e sobre um jogo que mudou suas vidas. Alex ama sua família, mas tem dificuldade em se conectar com Sam, o filho autista de oito anos. A tensão crescente da rotina leva seu casamento ao ponto de ruptura. Jody não aguenta mais o marido ausente e que pouco participa da vida do filho. Então Alex vai morar com o melhor amigo, e passa a dormir no colchão inflável mais desconfortável do mundo. Enquanto Alex enfrenta a vida de homem separado, cumpre a função de pai em meio-expediente e é confrontado com segredos de família há muito enterrados, seu filho começa a jogar Minecraft. E o que acontece depois disso é algo que nem Alex, nem Jody, nem Sam poderiam imaginar. Inspirado no relacionamento do autor com seu filho autista, O menino feito de blocos é um livro emocionante, engraçado e verdadeiro sobre o poder da diferença e sobre um menino para lá de especial.


Livros, de modo geral costumam ensinar muito para os leitores. E eu sou dessas que acredita que você sempre pode aprender algo com um livro, por mais bobo ou comercial que ele possa ser, e justamente por isso se transformar em um grande alvo de críticas.

Outra cosa que acho muito legal é que a diversidade de personagens está em pauta. E isso sem dúvida alguma ajuda muita gente que está à margem da sociedade, de se sentir parte dela de fato. Em O menino feito de blocos, um livro que sem duvida alguma pode ser trabalhado em colégios - especialmente com professores - o autor quebra, não somente a barreira de ter um personagem autista, mas também quebra a barreira de ter um game como ferramenta de socialização, educação, desenvolvimento e lazer.

Cresci tendo exemplo de meus familiares lendo. Eles leram para mim e me incentivaram a conhecer diversas histórias. Já, quando se trata de jogos eletrônicos, muitas vezes eles não participavam muito, existe, ainda, uma certa barreira cultural. Não estou criticando meus pais por isso, muito pelo contrário. Apesar de não ser "a coisa deles" sempre incentivaram e gostavam quando algo "diferentão" era apresentado e fazia com que saíssemos de nossa zona de conforto.

Jogos, de modo geral podem ser usados como ferramenta educativa, e isso ainda é muito "inovador" para muitas pessoas, especialmente quando se tratando de jogos eletrônicos. Na época em que e-sports estão em alta, Minecraft ganha destaque como um dos mais jogados ao redor do mundo. Seu público alvo? Crianças de 4 a 16 anos, mas não se engane. Muitos adolescentes e adultos também se divertem, aprendem e estimulam sua criatividade com ele.

O autor então constrói uma história linda baseada em sua vida, em seus aprendizados, mas abre espaço para que pessoas que não conhecem nada sobre autismo e sobre games aprendam junto com seus personagens. Acredito que pais e familiares de crianças autistas também vão se sentir abraçadas. Existem muitas dificuldades para que uma criança autista faça parte de nossa sociedade. Pouca informação gera preconceito, escolas nem sempre estão preparadas para lidar com as dificuldades desses alunos e o investimento que os pais acabam tendo que fazer nem sempre são compatíveis com sua renda e seu estilo de vida.

Seria o nosso estilo de vida o realmente comum e correto? No livro observamos como a família acaba desmoronando por conta do corre-corre, da rotina apertada, dos tantos afazeres e responsabilidades que os afastam. É preciso que o pai seja demitido para que ele comece a de fato se conectar com seu filho e compreender os motivos pelos quais ele deve lutar por seu casamento.

Acompanhamos a jornada recheada por aventuras e belos momentos, rumo a um final feliz que toda família merece. Keith escreve de forma leve, fazendo com que o enorme livro seja lido sem nenhuma dificuldade. É um livro que mostra como precisamos levar a sério nosso comprometimento com quem amamos e que obstáculos sempre vão surgir, mas que não podemos deixar que eles nos desanimem, ou nos façam nos afastar de quem amamos. Mais uma vez vale lembrar que esse livro poderia ser trabalhado em escolas tranquilamente, tanto entre professores, quanto entre alunos, que saindo de suas zonas de conforto, com toda certeza vão chamar atenção de seus pais e com sorte, dividir seu aprendizado com eles.


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