[RSENHA] VALSA MALDITA, TESS GERRISTEN


Ano: 2016

Páginas: 238

Editora: Grupo editorial Record

Preço Médio: 29,90

Sinopse: Uma linda melodia poderia despertar o que há de mais sombrio no ser humano? Um thriller eletrizante da autora de O cirurgião e Jardim dos ossos 

No ambiente frio e sombrio de um antiquário em Roma, a violinista americana Julia Ansdell depara com uma partitura intrigante — a valsa Incendio — e é imediatamente atraída pela peculiar composição. Carregada de paixão, tormento e de uma beleza arrepiante — e aparentemente inédita aos olhos do mundo —, a valsa com seu tom menor fúnebre e seus arpejos febris parece ter vida própria. Determinada a dominar a obra complexa, Julia decide ser o instrumento que fará com que sua melodia seja ouvida. Já de volta à Boston, no instante em que o arco de Julia começa a ser deslocado pelas cordas do violino, desenhando no ar aquelas notas intensas, algo sinistro é despertado — e a vida de Julia fica sob ameaça iminente. A música parece exercer um efeito inexplicável e macabro sobre sua filha pequena, que se mostra drasticamente transformada. Convencida de que a melodia hipnótica de Incêndio está desencadeando uma maldição, Julia decide investigar a história por trás da partitura e encontrar a pessoa que a compôs. Suas buscas a levam à milenar cidade de Veneza, onde Julia descobre um segredo sinistro de várias décadas envolvendo uma família perigosamente poderosa que fará de tudo para impedir que ela revele a verdade ao mundo — custe o que custar.


Sabe aquela leitura que quando você acaba, você fica sem ar, e quanto mais pensa sobre a história, mais você fica satisfeito por ter lido um senhor livro? Prontinho, pode correr para garantir o seu exemplar de Valsa Maldita.

A Tess Gerristen, sem dúvida alguma é uma das autoras que eu deveria ler mais. Quem me conhece sabe como eu adoro romances policiais e já li alguns de seus livros. Todos foram excelentes leituras, pois ela consegue sempre apresentar uma trama complexa, sempre consegue fechar muito bem o arco de seus personagens e tem aquela maestria de não permitir que a gente largue o livro pela metade.

Em Valsa Maldita, ela também dá uma senhora aula de como uma boa pesquisa faz diferença na hora de desenvolver a trama.

De inicio conhecemos Julia, uma violinista americana que é apaixonada por sua profissão - e graças a a ela, de vez em quando faz apresentações em diferentes lugares do mundo. - e que parece ter uma vida muito boa e equilibrada.

Em uma viagem de trabalho para a Itália, aproveitando o pouco tempo que tem para fazer um passeio, ela entra em uma loja que parece um tanto macabra, mas que mais parece ter uma força sobre ela. Lá ela descobre partituras de uma valsa extremamente original, e não pensa duas vezes antes de desembolsar um grande valor por ela.

O suspense com toque sobrenatural começa muito bem, mas quando compreendemos o quanto que essa valsa começa a consumir o dia-a-dia se sua protagonista destruindo a paz e equilíbrio de seu lar - e de sua sanidade - a história só fica mais interessante. Sempre que se dedica a tocar a valsa, Julia tem sentimentos à flor da pele e sua pequena filha tem reações muitíssimo violentas. Todos ao seu redor parecem duvidar, e é interessante como a autora trabalha a questão. Enquanto ela é tipicamente uma mulher de humanas, seu marido é um perfeito exemplo de um homem de exatas. É o que ela acreditava ser o equilíbrio dos dois que faz com que ela se sinta tão sozinha e isolada, mesmo quando procura por ajuda médica.

Julia busca por respostas sobre tal partituras, e não imagina como tudo ficará ainda mais sombrio. Não estava pronta para ver a trama se desenrolar e mostrar o outro lado dessa história. Voltamos no tempo e conhecemos Lorenzo. Músico apaixonado, humilde, de bom coração e judeu. Sua vida muda completamente quando conhece a italiana Laura, também apaixonada por música. Juntos, eles conseguem viver mais do que sua paixão pela música, mas também uma paixão, um amor verdadeiro. Tudo seria apenas belo, se não fosse pelo fascismo que começa a destruir vidas inocentes por pura intolerância. Por ser judeu, Lorenzo é capturado e faz o que pode para sobreviver.

É ai que a Tess mostra o quão afiada ela estava não só com sua pesquisa, mas com a forma como resolve amarrar toda a trama. Sabe aquele momento schoqued cat? O psicológico e o racional se fundem e é de arrepiar.



Existe obviamente muita amargura  e sofrimento, existe um segredo que vão tentar esconder... O leitor que se prepare para se sentir angustiado, curioso, dolorido... são menos de 300 páginas que fazem você se questionar tantas e tantas coisas... o final surpreende por sua simplicidade. Sério, não posso falar mais nada, mas sem dúvida alguma, como primeira leitura do ano, aposto que minha seleção de leituras de 2017 apenas promete.

Por sinal, Incêndio não é apenas uma composição que fica sem sentido ou no imaginário. No vídeo abaixo você vai poder escutar a versão completa e eu duvido que você não se sinta fascinado e igualmente angustiado, ou que não imagine como cada pedacinho da música representa bem os momentos marcantes do livro.


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