Um profundo mergulho no meu 2017


Inicialmente a minha ideia era de publicar esse post ainda no final de novembro, mas confesso que tudo estava um grande caos. Fiz um balanço do meu ano no inicio de dezembro, no lugar de janeiro, como sempre faço, mas isso foi muito mais por uma questão de necessidade. Eu precisava fazer uma boa avaliação sobre o meu ano.

Conviver com dor crônica não é fácil. Já tem mais de dois anos que venho me tratando e dei o azar de durante quase um ano – entre 2015 e 2016, mais precisamente – de ter o acompanhamento de médicos que apesar de seguirem com o mesmo protocolo, como se fosse um padrão, não me deram o atendimento que eu realmente precisei. Foi só no final de 2016 que encontrei o médico que faz o meu acompanhamento e com ele a palavra que só me deixou ainda mais ansiosa para ficar boa logo: paciência.

Entre dias melhores e dias piores, comecei 2017. Meu avô já estava internado, já tinha passado por uma cirurgia de alto risco e é obvio que mesmo sabendo dos riscos, eu tinha uma grande esperança de vê-lo em casa mais uma vez. Por cinco anos essa foi a rotina dos meus avós no final do ano: o meu avô sempre era internado entre os meses de novembro e janeiro. Apesar de tentarmos ajuda-lo de todas as formas, e de ele nos surpreender a cada dia, depois de cinco meses internados ele se foi. E gente... eu sempre imaginei que iria sentir, mas não adianta a gente dizer que está preparado, afinal, a gente nunca está.

Eu não estava certa de como minha vida daria um 360 tão grande, uma vez que estava acostumada a seguir num automático de “ok, estou triste ou magoada por conta de uma situação x da minha vida, mas daqui uma semana vou reagir como se nada tivesse acontecido e vou seguir em frente mesmo ciente das marquinhas que vão ficar comigo”.

Um exemplo prático é que mesmo com dor 7, na escala de 0-10, eu segui trabalhando, cuidando de minhas responsabilidades, tomando um monte de remédios e fingindo que tudo estava bem. Afinal, estou seguindo com o meu tratamento, que vai ser longo, então o negócio é seguir em frente.

E eu segui em frente, eu foquei nas coisas que precisava, comecei um processo que foi importantíssimo para mim, o Coach com a Dag, do Mulheres Poderosas, o Lívio, meu agente literário continuou cuidando da minha carreira, assinamos um novo contrato, e entre tantas mudanças em minha vida em tão pouco tempo, segui com o rumo que meu coração pediu.

Mesmo ouvindo dos médicos que eu precisava diminuir o meu ritmo, que eu precisava tirar alguns meses para me tratar, mesmo minha dor me enlouquecendo – sério, tem dias que minhas crises não me permitem sair da cama, que eu choro de dor, que minha ansiedade me consome por completo, e eu me sinto extremamente sem energia, deprimida... – e tendo o diagnostico de depressão, eu bati de frente e preferi não me permitir abalar.

E é assim que apesar do lado ruim e pesado do ano, eu vejo como ele foi lindo. E o quão grata eu sou. Tive a presença do meu avô paterno em minha vida por 31 anos e sei que agora ele está descansando em paz, junto com outras pessoas que amo e também já se foram. Realizei e palestrei e fiz a cobertura de 37 eventos ao longo do ano, mesmo com tantas limitações. O mais legal é que o aniversário do blog teve 179 participantes. Junto com o lançamento de Destinos Cruzados na Bienal do Rio e na Bienal de Pernambuco, fico sem folego e com um sorriso do tamanho de um cabide.

Entre as viagens, o presente lindo de conhecer Nova Iorque com meu marido, destacando a biblioteca pública da cidade – lugar mais que especial – além de ter outras experiências incríveis pela cidade e ser tão bem recebida... A CCXP Tour, que invadiu Recife e mostrou como vivo na capital dos nerds. Ver parceiros abrindo cada vez mais espaço para as mulheres no meio nerd. Sim, rolou muito Girl Power 2017.

E acredito que um dos melhores presentes que 2017 me deu, foi abrir meus olhos com relação a algumas pessoas e me afastar delas. Descobrir que você tem uma “amizade toxica” doí. Se afastar dessa pessoa não é fácil. Sim doí, afinal, se você considera que essa pessoa é uma amizade sua, mas faz parte de um processo que será, em algum ponto, acredite, libertador.

Me senti um tanto perdida e o processo de Coaching me ajudou demais. Tive que dar uma pausa, mas autoconhecimento é fundamental. Não é fácil, doí, mas é tão gostoso ao mesmo tempo... É empoderador, de verdade. Mas aí vem o ponto que eu queria chegar: sou extremamente grata por muitas coisas que aconteceram em 2017, mas no final de outubro eu me acidentei e não levei as consequências tão a sério... Estava cada dia mais complicado lidar com a dor, com os médicos falando que eu precisava de repouso absoluto, que eu precisava tratar a minha ansiedade e a minha depressão, que eu precisava entender que apesar de comum, a minha doença estava acabando comigo.

Não só o meu corpo físico, mas muito mais pelas consequências com o meu emocional, com minha saúde mental.
Conviver com dor crônica estava me consumindo por completo e quando eu vi, não só a balança mostrava como minha saúde estava péssima, mas todos os especialistas que estava consultando, tentando não ter o meu diagnostico de depressão. Ainda é difícil pra mim aceitar, afinal, sou aquela pessoa que vê o copo meio cheio sempre.

E como eu acredito que quando não temos algo bom para compartilhar, que devemos ficar quietos – fora que com dor, eu só sei falar sobre dor, ou estou extremamente sem paciência, fico receosa de receber abraços para que ninguém aperte/bata no lugar errado – dei uma sumidinha. Foquei em cuidar da minha saúde como um todo.
Terapia, exames, um novo tratamento para tentar melhorar a minha síndrome miofascial, cuidar meus hormônios... e repousar. Repousar absolutamente, não fazer nenhum esforço. Tirar uma licença médica de longo prazo.

E é essa a parte mais difícil pra mim e que talvez muita gente não compreenda e se chateie. Sempre fui cheia de energia, sempre ajudei um monte de gente, e como escritora, mesmo que sem usar aquelas páginas escritas, tinha um ritmo de escrita semanal, que funcionava quase como uma meta. E eu não posso fazer nada disso por enquanto – esse post foi escrito em longas e longas semanas, uma vez que meu trapézio e braço doem muito quando passo meros quinze minutos escrevendo no word e é insuportável – tenho que ficar quieta, tenho que focar em me cuidar. Depois de quase dois meses, finalmente estou começando a aceitar que realmente preciso de uma pausa, e de férias, URGENTE!

Mas enfim, é isso. Esse post já está enorme e apesar de toda e qualquer dificuldade, dor, crise... que tenha acontecido em 2017, sou muito grata por tudo, especialmente pelo autoconhecimento.

Sendo assim, estou voltando aos poucos para minhas atividades com o blog, em breve com o canal – não consegui administrar esses dois muito bem ano passado, pois já tinha muito em meu prato e gravar com tanta dor, eu mais parecia um zumbi, nada confortável em frente a minha câmera. – e também com novidades nos eventos em Recife e claro: vou falar muito sobre livros e processo de escrita ao longo desse ano.

Novos projetos vem aí. 2018 já promete muito, mas antes de mais nada, obrigada por todo carinho, por todas as mensagens, por acreditarem no meu potencial, por serem tão companheiros e pela atenção de todos os nossos parceiros.

Cuidem da saúde de vocês, como um todo. Física e mental. Com saúde a gente pode correr atrás de todo o resto não é mesmo?

Um 2018 cheio de boas energias e se eu sumir por alguns dias das redes, vocês já sabem o motivo: estou me cuidando para retribuir esse imenso carinho da melhor forma possível.

XoXo

Ps: Algumas pessoas estão querendo saber mais sobre o que é a Síndrome da dor miofascial, esse link é excelente sobre o assunto. 
Comentários
3 Comentários

3 comentários :

  1. Espero que esse ano seja mais leve com você, que tudo dê certo e que seu caminho seja muito iluminado. Se puder ajudar, é só chamar viu?

    Beijos.
    https://spkyjmchrstms.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Não tem como não se emocionar lendo tudo isso, o mais lindo é que apesar de trancos e barrancos você ainda é grata! Eu sempre digo para todos que me rodeiam que tudo é um aprendizado e tenho certeza que tudo isso que aconteceu te fez evoluir demais né. Nos anos de 2013 e 2014 passei um pelo tratamento da depressão.. Apesar de não ter sido um longe período, cada dia e cada remédio tomado me doía sem tamanho, mas cresci muito com tudo isso, ainda tenho minhas crises de ansiedade mas é tudo uma questão de paciência, assim como você disse lá em cima!!
    Adorei o blog, conte comigo daqui para frente!

    ResponderExcluir
  3. Ual, que 2017 desafiador (em todos os sentidos). O melhor que você fez foi dar uma pausa e priorizar a sua saúde e acredito muito que Deus está preparando o melhor pra você, e que Ele é o responsável por fazer você entender que precisar dar uma pausa para se cuidar e se reinventar.
    Um grande beijo

    ResponderExcluir