[RESENHA] Um Lugar Silencioso


Data de lançamento: 5 de abril de 2018 (Brasil)
Direção: John Krasinski
Música composta por: Marco Beltrami
Cinematografia: Charlotte Bruus Christensen
Roteiro: John Krasinski, Scott Beck, Bryan Woods
Produção: Michael Bay, Bradley Fuller, Andrew Form
Elenco principal: John Krasinski, Emily Blunt, Millicent Simmons, Noah Jupe.

Sinopse: Em uma fazenda nos Estados Unidos, uma família do Meio-Oeste é perseguida por uma entidade fantasmagórica assustadora. Para se protegerem, eles devem permanecer em silêncio absoluto, a qualquer custo, pois o perigo é ativado pela percepção do som.

Se prepare para ficar tenso desde os minutos iniciais de Um lugar Silencioso e não ter uma real sensação de alívio até o momento que os créditos estão passando pela tela.

Esse é o meu primeiro contato com um longa dirigido por John Krasinski, além dos poucos episódios da divertidíssima série The Office - foram 3 no total - e só posso esperar para ver o que mais ele vai nos apresentar mais para a frente. 

Em Um Lugar Silencioso ele sabe bem o que quer e não abre mão de utilizar bem o tempo para construir toda atmosfera aterrorizante que a família a quem somos apresentados vive, apenas por tentar sobreviver. Em um cenário pós apocalíptico onde o silêncio significa sobrevivência, com recursos escaços, medo e profundas cicatrizes, que marcam pais e filhos profundamente. 

Na primeira parte do filme, vamos nos acostumando ao ambiente e ao silêncio. Tememos e nos questionamos sobre todo e qualquer mínimo barulho que possamos causar, o que arriscaria a vida de todos. A tensão construída só piora, uma vez que compreendemos a culpa que todos sentem e notamos que a casa provisória da família está sendo adaptada para a chegada de um novo integrante. 

Se crianças e adultos, conscientes da situação, temem qualquer barulho, e escorregam aqui e ali, como eles vão fazer com um bebê recém nascido? O som, e a ausência dele são fundamentais para o filme. Como não temos diálogos, o som de tudo passa a ser ouvido, desde o leve esfregar das mãos sendo lavadas, a cola sendo passada na parede e o jornal sendo colado, para ajudar no isolamento acústico do espaço onde vivem. Do modo de comer ao modo de brincar com um jogo de tabuleiro, tudo foi adaptado e, convivendo com a família, finalmente, antes de começar o segundo momento do filme, já estamos ambientados e aflitos o suficiente. 

Pouco sabemos o que culminou tal mudança no mundo, apenas sabemos que as criaturas que atacam os humanos são guiadas pelo barulho. Os mais atentos vão notar detalhes sobre a criatura, mas no final, estes não fazem lá tanta diferença. Atraídas com sua super audição, elas destroem o que esteja emitindo tal som. 

E é justamente que estamos nervosos o suficiente com cada passo dado pelos personagens, que somos bombardeados com uma grande sequencia de cenas que mais parecem impossíveis de ocorrer em total silêncio. Entre o nervosismo e o instinto de sobrevivência dos personagens, misto com a absoluta aflição dos mesmos, não conseguimos tirar os olhos da tela. A cena do parto tirou o ar de todos na minha sessão. Emily Blunt está apenas incrível neste filme. 

O design de som do filme é muito bem planejado. A música é belíssima quando tem chance de ser escutada.  A trilha sonora, por outro lado, em alguns momentos se apressa. A sequencia de cenas que beiram o absurdo, em certo momento perdem um pouco da tensão. Cada um dos personagens passa a ter uma maneira diferente de observar a situação e lidar com ela, seja o filho mais novo, ou a mãe, com seu recém nascido. Em uma da cenas, por sinal, confesso que achei desnecessária: um alagamento, que sinceramente só servia para demonstrar o quão ferrada estava a família, como se ninguém pudesse ter um momento de paz, porém, seria impossível existir uma real paz, com uma outra situação de perigo ocorrendo ao mesmo tempo. 



A construção da família, no filme, é fantástica e a demonstração de que mesmo as famílias mais unidas, sofrem em devidos momentos. Os pais, tem papeis bem definidos, que fazem parte do contexto onde os personagens vivem, e isso, em algumas cenas entre pai e filha, podem até ser interpretadas como comportamento arcaico. O relacionamento pais e filhos é, na verdade, belíssimo, mesmo em meio de tal situação. Destaque para Millicent Simmons, que retrata tão bem seus dilemas, sua impulsividade, ou seja, sua adolescência - afinal, todos ali ainda são humanos, não é mesmo? -  em meio ao caos. 

Sejam alienígenas, entidades com uma super audição em um mundo apocalíptico ou não, Um Lugar Silencioso , mais do que ligeiramente sádico, e bem executado como gênero de horror, fala muito sobre um ambiente familiar amoroso e unido, das dificuldades da paternidade e da maternidade e também da necessidade de crescer, enfrentar o mundo cão que vivemos e sentir, mais que necessariamente apenas ouvir, o que acontece ao nosso redor. 

Com um final digno de fazer com que os espectadores voltem a respirar novamente, apesar de extremamente curiosos, o filme é capaz de arrancar sorrisos, apesar dos corações dos espectadores ainda estarem acelerados. 




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